A xiloteca do INPA

Histórico

A Coleção Científica de Madeiras do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), teve sua primeira amostra coletada em 30 de 1954 e identificada como sendo da família Apocyanaceae:

Nome Científico: Ambelania tenuiflora M.Arg.
Nome Vulgar: Pepino-do-Mato

No ano de 1954, 62 amostras foram coletadas e foram confeccionadas 60 lâminas histológicas. Na atual década ocorreu no INPA a implantação do Planejamento Estratégico, onde a coleção ou Xiloteca foi inserida no Projeto Centro de Excelência, como um dos componentes do Programa Piloto do Governo Brasileiro.

Situação atual

A Coleção Científica de Madeiras do INPA, atualmente é composta por:

Número de espécimes: Mais de 11 mil
Número de famílias: 134
Número de gêneros: 876
Número de espécies: aproximadamente 2.770
Laminário: 1.189 lâminas
Fototeca: Macrofotografias e Microfotografias

Objetivos

Identificar, catalogar, registrar, preservar e divulgar cientificamente e tecnologicamente madeiras tropicais em especial da Amazônia, subsidiando estudos botânicos e florestais da região.
Coleção de referência para madeiras da Amazônia e manter o intercâmbio científico de permuta/doação de amostras de madeiras, de maneira a consolidar o uso da coleção como referência para madeiras da Amazônia.
Estudar as características morfológicas e anatômicas gerais das madeiras amazônicas e apoiar os estudos que objetivem a identificação e indicação de usos finais.
Atender a interessados para assistência técnica em Anatomia e Identificação de madeira.
Promover a capacitação de recursos humano ligados ao setor, por meio de orientação a estudantes e técnicos, cursos, seminários, dentre outras atividades.
Implementar e consolidar um banco de dados sobre madeiras da Amazônia.
Ampliar o número de amostras de madeiras com intercâmbio.

Intercâmbio Científico
A Coleção Científica de Madeiras do INPA-Xiloteca mantém intercâmbio nacional e internacional com instituições de pesquisa e ensino correlatas, por intermédio do acervo científico, utilizando as modalidades de doação, permuta e empréstimo.

Produção Científica
Os conhecimentos gerados sobre as madeiras da Amazônia estão publicados em sua grande maioria no Periódico ACTA AMAZONICA, e também revistas científicas nacionais e do exterior. Até a presente data, são mais de 60 trabalhos científicos elaborados pelo seu corpo de pesquisa.

Metodologia
A metodologia usada na coleção científica de madeiras do INPA (xiloteca), quanto a sua organização é baseada na seguinte forma: toda coleta (madeira) ao chegar para compor o acervo científico, vem dentro das possibilidades acompanhado de material botânico fértil correspondente quando o coleta é realizada pelo INPA, ou não, quando é procedente de doação/permuta, com outras instituições de pesquisa e ensino, contendo uma ficha de coleta de campo com as diversas informações fenológicas e dendrológicas e outras informações que o coletor julgar necessário. Ao ser registrada recebe um número ordinal crescente no livro de registro, contendo as seguintes informações: família, nome científico, nome vulgar, procedência, coletor, data da coleta, determinador e suas características gerais, como também o número de registro no herbário do INPA ou de outras instituições para que seja assegurada a comprovação científica do material registrado.

Em seguida, a amostra é convenientemente preparada em formas de tacos e padronizada quando possível nas dimensões de 2x5x10 cm, com casca, alburno e cerne, marcadas seu número de registro diretamente na madeira com marcador do tipo punção, depositadas em seguida, em armários de aço onde são armazenadas. As duplicatas das amostras são preparadas da mesma forma da amostra padrão que servem para estudos e doações/permutas com instituições correlatas.

Após todo o processo de registro e preparação da amostra e duplicatas, a amostra é classificada e identificada cientificamente e confrontada com a amostra de herbário.

Ao ser registrada a amostra de madeira, paralelamente é confeccionada uma ficha onde as informações contidas no livro de registro, são incluídas na mesma. A referida ficha contendo todas as informações do livro de registro são depositadas em sua própria gaveta de um armário de aço, obedecendo a ordem alfabética de família, gênero e espécie, assim como a sua ordem numérica crescente de registro.

Uma ficha semelhante a descrita anterior, baseada na mesma metodologia, é confeccionada para as de lâminas histológicas após sua confecção.

Completando a coleção científica de madeiras e das lâminas histológicas, existe uma coleção de fotomacrografias e fotomicrografias da estrutura lenhosa das espécies mais de maior ocorrência e de maior valor comercial da Amazônia, assim como as que foram estudadas cientifícamente e publicadas em revistas de cunho científico em especial na ACTA AMAZONICA e uma coleção de slides (projeção visual), para apresentação em seminários, palestras, cursos, etc.

Manutenção

Uma coleção científica de madeiras ou outro tipo de coleção, quando mantida inadequada, é um foco para a infestação de insetos e outros organismos vivos que deterioram e compromete sensivelmente toda e qualquer coleção.

As precauções podem ser tomadas para evitar que aconteça a deterioração, são atitudes simples e práticas que contribuem para a conservação adequada, tais: manter sempre limpo o local, armazenar as amostras de madeiras que compõem o acervo em armários de aço, evitando a proliferação de organismos xilófagos e outros agentes de destruição, incorporar no acervo amostras em perfeitas condições de sanidade (sem infestação de fungos ou insetos), inspecionar anualmente as gavetas que contém as amostras, retirando as amostras que foram atacadas afim de serem substituídas por duplicatas ou que seja feito um tratamento para não aumentar a proliferação do ataque, expor o mínimo espaço de tempo as espécies contidas nas gavetas com o meio-ambiente, colocar no interior das gavetas naftalinas (C10H8), que são vendidas no comércio, devido o seu odor afasta traças e insetos.

Palmeiras produzem madeira?

Palmeiras são monocotiledôneas perenes, “lenhosas”, solitárias ou gregárias, apresentam em geral uma coroa de folhas, produzem flores unissexuadas ou bissexuadas num único indivíduo ou em plantas separadas e reproduzem-se por sementes. Representam um grupo monofilético de plantas da família Palmae (nome alternativo Arecaceae) e da ordem Arecales.

Apresentam em geral um padrão na aparência que permitem facilmente serem reconhecidas muitas vezes como plantas de grupos a elas não relacionadas. É o caso das Cicadaceae, cyclanthus (Carludovica palmata, palmeira do chapéu Panamá) e agaves (Nolina recurvata), cuja aparência lembra a das palmeiras.

As palmeiras são plantas muito antigas, com fósseis que remontam a 85 milhões de anos atrás. Devido a sua constituição rígida, os fósseis encontravam-se bem conservados.

Em muitos trabalhos as palmeiras são denominadas “princesas do reino vegetal”. De fato, o botânico suíço Carolus Linnaeus, o fundador do moderno sistema binomial de nomenclatura biológica, denominou-as como “princesas”. Em função disso este foi o nome do jornal científico publicado por muitos anos pela Associação Internacional de Palmeiras.

Altamente numerosas, as palmeiras podem chegar a até 2500 a 3500 espécies em 210 a 236 gêneros. Esta variação decorre da discordância na classificação entre botânicos.

Mais de dois terços das palmeiras do mundo crescem em florestas tropicais, onde podem atingir grandes alturas e ultrapassar o dossel, sobreviver entre as plantas de médio porte ou mesmo imersas nas sombras próximas ao solo da floresta. Algumas espécies, entretanto, sobrevivem em habitats pouco comuns: Phoenix dactylifera habita savanas; Nannorrhops ritchiana nasce nas montanhas do Afeganistão e espécies do gênero Thachycarpus passam boa parte do ano cobertas por gelo no Himalaia.

As palmeiras, algumas delas muito usadas na região Amazônica com a mesma finalidade da madeira (como a paxiúba, Socratea exorrhiza, Arecaceae, usada no assoalho de casas de ribeirinhos), não apresentam crescimento secundário. Isto faz com que o produto retirado do caule (cujo nome correto é estipe) não possa ser considerado madeira, pois:

1) a organização celular do tecido difere do xilema e

2) nas palmeiras só há crescimento primário, o que não caracteriza o tecido como madeira.

Nota: Um grupo monofilético é um grupo de taxa (espécies, gêneros, famílias, etc.) descendente de um único ancestral comum, chamado também de um grupo verdadeiro.

Propriedades organolépticas

As características da madeira que são capazes de impressionar os sentidos são conhecidas como propriedades organolépticas.
Abaixo segue uma breve descrição de cada uma delas:

Cor
A cor da madeira deriva de substâncias químicas presentes no tronco. A intensidade da coloração varia do bege claro ao marrom escuro, quase preto. Existem ainda madeiras amarelas, avermelhadas e alaranjadas. A cor tende a alterar-se com o passar do tempo, escurecendo devido à oxidação causada principalmente pela luz.

Odor
Característica importante na madeira e que tende a definir o seu uso. Madeiras para móveis não podem apresentar, por exemplo, cheiro desagradável*. Peças de madeira muito antigas podem perder parcialmente o odor, mas eventualmente este pode ser acentuado se a madeira for umedecida. O odor da madeira deve ser classificado em Agradável ou Desagradável.

Resistência ao corte manual
Verificada através do corte com estilete ou navalha no plano transversal. A madeira pode ser classificada como pouco resistente, moderadamente dura ou dura*.

Sabor
Está em geral associado às substâncias que conferem odor e devem ser classificadas sob odor agradável ou desagradável*. Em algumas espécies apresenta-se amargo (cedro), em outras madeiras pode ser nitidamente percebido: picante em surucucumirá  e adocicado em casca-doce.
Atenção: o teste de provar o gosto da madeira pode causar reações alérgicas em pessoas sensíveis. Por isso deve se evitado.

Peso específico
É a relação entre o volume verde (amostra saturada em água até peso constante) fornecido em cm3 e o peso da madeira seco em estufa fornecido em gramas. Neste sentido as madeiras podem ser classificadas como de baixa densidade, de média densidade e de alta densidade.

Textura
É a característica que envolve o diâmetro dos poros, sua distribuição e quantidade relativa no lenho. A textura pode ser grossa, média ou fina*. Geralmente as madeiras que apresentam textura grossa possuem poros grandes, visíveis a olho nu, com diâmetro tangencial maior de 300 µm e não recebem bom acabamento. As madeiras de textura média apresentam poros com diâmetro tangencial dos poros de 100 a 300 µm. As de textura fina apresentam em geral poros pequeninos, uniformemente distribuídos, com diâmetro tangencial menor que 100 µm.

Grã
Envolve a orientação dos elementos celulares em relação ao eixo vertical da árvore. Quando as células são paralelas ao crescimento vertical, a grã é direira ou regular. Quando a grã apresenta desvios ou inclinações em relação ao eixo principal do tronco, a grã é chamada irregular, podendo ser Grã oblíqua ou ainda Grã entrecruzada*.

Figura
É o conjunto de desenhos e alterações de caráter decorativo que a madeira apresenta e que a torna facilmente distinta das demais.

Brilho
É a capacidade de refletir luz que uma determinada madeira possui. O brilho é melhor notado no plano radial, devido ao espelhado dos raios. O brilho deve ser observado na seção radial do cerne no momento do corte e classificado em Brilhante ou Sem brilho

Propriedades mecânicas

As propriedades mecânicas definem o comportamento da madeira quando submetida a esforços de natureza mecânica. Existem no Brasil normas padronizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, que regulamentam os testes a serem aplicados em amostras de madeira, realizados em laboratórios com máquinas especialmente destinadas a esta finalidade e que possibilitam aferir o grau de resistência a um determinado esforço.

A resistência à compressão axial refere-se a carga suportável por uma peça de madeira quando esta é aplicada em direção paralela às fibras. É o caso de colunas que sustentam um telhado.

Nos ensaios de flexão estática, uma carga é aplicada tangencialmente aos anéis de crescimento em uma amostra apoiada nos extremos.

Através do ensaio de resistência a tração, é possível obter índices que facilitam a seleção de madeiras capazes de serem empregadas em treliças de telhados, cujas seções tornam-se reduzidas em função de ligações e, portanto, sujeitas a este tipo de esforço.

O cisalhamento é a separação das fibras, resultando num deslizamento de um plano sobre outro, devido a um esforço no sentido paralelo ou oblíquo as mesmas (um esforço no sentido normal as fibras também pode provocar o cisalhamento, mas em geral isto não chega a ocorrer, pois a ruptura ocorre por esmagamento das fibras).

No ensaio de compressão perpendicular às fibras é aplicada uma carga sobre a peça de madeira a fim de se verificar o valor máximo que a espécie suporta sem ser esmagada.

A resistência à flexão dinâmica é capacidade da madeira em suportar esforços mecânicos ou choques.

Elasticidade é o nome que se dá a capacidade de um determinado material sofrer a aplicação de uma carga, apresentar deformação proporcional a sua intensidade e retornar a sua forma original.

A propriedade de resistir a penetração localizada, ao desgaste e abrasão, é conhecida por dureza superficial.

PROPRIEDADES FÍSICAS

Peso específico – É a razão entre a quantidade de massa por unidade de volume. Algumas espécies são naturalmente mais pesadas que outras mesmo apresentando dimensões iguais. Geralmente, espécies mais pesadas, apresentam características mais duradouras.
Os índices de massa específica variam de espécie para espécie e dependem de uma série de fatores estruturais bem como dos compostos orgânicos e inorgânicos presentes no lenho. O pau de balsa (Ochroma lagopus, Bombacaceae) é a madeira brasileira mais leve (seu peso específico é de 0,13 g/cm3).
A medida que o peso específico aumenta, elevam-se proporcionalmente a resistência mecânica e a durabilidade e, em sentido contrário, diminuem a permeabilidade à soluções preservantes e a trabalhabilidade.

Umidade –  Relaciona-se ao teor de água que a madeira apresenta. Quando recém cortado, o tronco de uma árvore encontra-se saturado de água. Muitos fatores irão influenciar o teor de umidade, entre eles a anatomia do xilema. Da umidade irão depender diretamente as propriedades de resistência, poder calorífico, capacidade de receber adesivos e secagem, entre outras.
A água na madeira pode estar presente preenchendo os espaços vazios dentro das células ou entre elas (água livre ou água de capilaridade), pode estar aderida à parede das células (água de adesão) ou pode estar compondo a estrutura química do próprio tecido (água de constituição). Esta última somente pode ser eliminada através da combustão do material.

Retratividade –  É o fenômeno de variação nas dimensões e no volume em função da perda ou ganho de umidade que provoca contração em uma peça de madeira. Está relacionada às e aos defeitos de secagem. A contração pode ocorrer e ser avaliada em três aspectos:

Contração tangencial – variação das dimensões da madeira no sentido perpendicular aos raios;
Contração radial – variação das dimensões da madeira no sentido dos raios;
Contração volumétrica – variação das dimensões da madeira considerando-se como parâmetro o seu volume total.

Condutividade térmica – Devido a organização estrutural do tecido, que retém pequenos volumes de ar em seu interior, a madeira impede a transmissão de ondas de calor ou frio. Assim a madeira torna-se um mau condutor térmico, isolando calor ou frio.

Condutividade sonora – A propagação de ondas sonoras é reduzida ao entrar em choque com superfícies de madeira. O procedimento de empregar madeira como revestimento de paredes enfraquece a reverberação sonora e melhora a distribuição das ondas pelo ambiente, tornando-a um produto adequado para o condicionamento acústico.

Resistência ao fogo – Apesar da madeira ser considerada um material inflamável, quando apresenta dimensões superiores a 25 mm (topo) é mais lentamente consumida pelo fogo que outros materiais. Isto ocorre pois quando o fogo atinge a madeira, destrói rapidamente a superfície, formando uma fina camada de carvão que retarda a propagação de oxigênio e, conseqüentemente, das chamas em direção ao interior da peça, fazendo com que o incêndio perca velocidade. Peças com 50 mm de espessura podem ser consideradas sempre mais seguras que estruturas metálicas. Abaixo de 20 mm, as peças de  madeira tornam-se elementos de alimentação do incêndio e, portanto, devem ser evitadas em construções.

Defeitos da madeira

1 – Defeitos de crescimento e desenvolvimento

Grã
É a orientação dos elementos celulares em relação ao eixo vertical da árvore. Quando irregular, dependendo do uso que se vai destinar a madeira, isto pode constituir um defeito, prejudicando o acabamento, secagem e outras operações.

Variações na largura e no espaçamento dos anéis de crescimento
Em coníferas, principalmente, o espaçamento e a espessura dos anéis de crescimento criam uma variação de densidade e dureza que podem caracterizar um defeito, uma vez que torna o tecido mais heterogêneo.

Crescimento excêntrico
Ocorre quando a medula é deslocada do centro do tronco. Este fenômeno causa uma forma elíptica ao fuste. Resulta em tábuas de estrutura desuniforme.

Lenho de reação
Árvores que sofreram um esforço causado por uma condição irregular de crescimento, como por exemplo, ter se desenvolvido em uma superfície inclinada, podem apresentar este tipo de defeito. Nas coníferas o lenho de reação geralmente situa-se na região de compressão (lenho de compressão), enquanto que nas folhosas, o lenho de reação ocorre mais na parte que é tracionada (lenho de tração).

Nós
O nó é a região do caule onde ocorre a intersecção de um ramo ou de um galho. O nó apresenta uma estrutura anatômica totalmente reforçada e inviabiliza uma boa trabalhabilidade. É muito duro, às vezes solta-se durante o acabamento e, em geral, é escuro, conferindo um aspecto desagradável a peça.

Tecido de cicatrização
Ocorre quando a árvore sofre algum ferimento, causado pela queda de uma outra árvore ou pelo ataque de insetos. A presença de resina geralmente ocorre geralmente após alguma injúria ocorrida na casca da árvore e que, mais tarde, é englobada com o surgimento de novas camadas de tecido originadas pelo câmbio.

2 – Defeitos na forma do tronco

Tortuosidades
Troncos tortuosos são comuns e podem ser resultado de vários fatores, como por exemplo, condições de luminosidade, folhagem assimétrica pendendo mais para em uma certa direção, cipós e até presença de alumínio no solo. Diminui o aproveitamento da tora.

Bifurcação
Quando ocorre rente ao solo é possível aproveitar o fuste, mas dependendo da altura pode inviabilizar o aproveitamento ou influenciar a qualidade da madeira.

Sapopemas
São raízes tabulares, cuja função é servirem de contraforte para maior equilíbrio a árvore. Dificultam a operação de abate e alteram a anatomia no local.

Conicidade
O tronco de algumas árvores assumem forma acentuada de cone quando a partir do 2o. metro o diâmetro diminui menos de 1 cm a cada metro linear. Diminui o aproveitamento da tora no processo de desdobro.

Tronco acanalado
É caracterizado pela presença natural de saliências ao redor do fuste, que resultam em perda significativa de aproveitamento.

Tronco fenestrado
Neste caso, o fuste apresenta profundas depressões e geralmente é utilizado inteiro como poste, não servindo para cortar em tábuas.

3 – DEFEITOS DE SECAGEM

Rachaduras
Caracterizam-se por grandes aberturas radiais no topo de peças ou toras. As causas podem ser variadas, como por exemplo a orientação do corte da peça de madeira ou de secagem mal conduzida.

Fendilhamento
Aberturas de pequena extensão ao longo da peça de madeira.

Empenamento
É caracterizado por uma distorção em relação ao plano da superfície de uma peça de madeira.

Encruamento
Decorre da secagem acelerada das camadas superficiais enquanto o interior da peça continua com teor de umidade elevado. Provoca rachaduras no interior da peça que certamente alteram o comportamento esperado.

4 – DEFEITOS DE PROCESSAMENTO INADEQUADO

Presença de medula
Peças retiradas do centro da tora podem conter tecido parenquimático da medula. Isto pode favorecer o aparecimento de rachaduras na tábua, diminuindo a resistência a esforços mecânicos e favorecendo ao ataque de organismos xilófagos.

Presença de casca e alburno
Semelhante ao que ocorre com a medula, a madeira pode ser vendida contendo vestígios de casca e/ou alburno

5 – DEFEITOS DE ALTERAÇÃO PROVOCADOS POR AGENTES FÍSICOS E BIÓTICOS

Defeitos do Weathering

Madeiras expostas à condições adversas sofrem descoloração de tecido, levantamento da grã, rachaduras e um pequeno enfraquecimento geral da estrutura após décadas de exposição.

Apodrecimento por fungos e bactérias

O ataque destes organismos a madeira pode causar apodrecimento e alterar completamente suas características, inclusive a resistência e durabilidade, comprometendo definitivamente as peças.

Destruição por insetos

Insetos podem perfurar canais, câmaras e danificar de modo irreversível peças de madeira.

Crescimento das árvores

O crescimento das árvores ocorre em dois sentidos: altura e diâmetro.

Na ponta dos ramos e também na ponta das raízes, há um tecido vivo denominado meristema: um tipo especial de células que se multiplicam estimuladas por hormônios vegetais (entre eles a auxina e a giberelina). Os hormônios são transportados para os meristemas e estes dividem-se originando novas folhas e galhos, na parte aérea da planta e, sob a terra, expandem as raizes. É através deste processo que a árvore e qualquer outra planta cresce em altura e, por vezes, chega a alcançar mais de cem metros. O crescimento em altura é denominado crescimento primário ou crescimento apical.

Para crescer em diâmetro, é necessário um outro sistema. Ao redor do tronco das árvores, há uma fina camada de células, na parte interna da casca, entre o floema e o xilema, conhecida por câmbio vascular.

O câmbio também é um tecido meristemático, que sob a ação de hormônios é estimulado a dividir-se em camadas tanto em direção à casca como em direção ao centro do tronco. As células que são formadas em direção a casca irão compor o floema e as que estão em direção ao interior do caule irão compor o xilema. Isto faz com que, em geral, a cada ano uma nova camada de células seja depositada ao redor do tronco, aumentando seu diâmetro. Se considerarmos que a produção de células dá-se no perímetro do caule, a árvore aumenta em diâmetro “de fora para dentro”. Este é o crescimento secundário.

AFINAL: O QUE É MADEIRA?

A madeira é um produto do tecido xilemático dos vegetais superiores, localizado em geral no tronco e galhos das árvores, com células especializadas na sustentação e condução de seiva. Do ponto de vista comercial, a madeira somente é encontrada em árvores com altura superior a 6 metros e diâmetro acima de 50 cm.

O xilema é um tecido estruturalmente complexo composto por um conjunto de células com forma e função diferenciadas e é o principal tecido condutor de água nas plantas vasculares. Possui ainda as propriedades de ser condutor de sais minerais, armazenar substâncias e sustentar o vegetal. É importante lembrar que o xilema é encontrado em várias regiões dos vegetais, não só no caule, como raiz e ramos.

Nem todas as espécies que produzem tecido xilemático são reconhecidas comercialmente como produtoras de madeira. O xilema é um tecido característico das plantas superiores, incluindo nesta categoria vários tipos de plantas: arbustos, cipós e árvores. A presença de xilema na espécie não significa entretanto que a mesma está apta ao uso industrial, no que se refere a desdobro de toras. Para tanto, requere-se à espécie que possua volume necessário que justifique sua exploração. Portanto, toda madeira é proveniente de tecido xilemático, mas, sob a ótica comercial, nem todo tecido xilemático produz madeira.

Os principais tipos de células encontradas na madeira são:

Fibras
Células existentes no lenho das  angiospermas, alongadas, imperfuradas, com pontoções simples ou areoladas nas paredes. Muitas das propriedades físicas e mecânicas do caule dependem da morfologia destas células.

Elementos de vaso
Os vasos são estruturas formadas por uma junção de células perfuradas, chamadas de  elementos de vaso, que se comunicam entre si, formando longos dutos que conduzem a seiva no sentido axial. Os vasos são característicos de espécies pertencentes às angiospermas, havendo algumas excessões. Representam uma grande evolução biológica dos vegetais  no sentido de transporte de seiva.

Raios
Os raios são células parenquimáticas que prolongam-se no sentido da casca para a medula. Possuem a função de alimentar o tecido neste sentido e costumam acumular muitas substâncias nutritivas, além de inclusões. É chamado também de parênquima radial.

Traqueídeos
Constituem-se de células alongadas, delgadas, de contorno  geralmente angular com funções mistas de condução e sustentação, características das gymnospermas, apesar de estarem presentes também em várias angiospermas.

Parênquima axial

Células que possuem como função principal acumular substâncias nutritivas, o parênquima confere baixa resistência a esforços mecânicos, pois possui baixo nível de lignina em sua constituição. É um tecido facilmente atacado por organismos xilófagos.

Algumas estruturas especiais são características de determinadas espécies, gêneros ou famílias, como os canais resiníferos, canais secretores axiais, fibrotraqueídeos e outras.

TAUARI

Couratari oblongifolia Ducke & Knuth Lecythidaceae

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Ocorre nas matas de terra firme nos Estados do Amazonas, Pará, Rorairna e Amapá. Também nas Guianas e Suriname.

DENOMINAÇÕES VULGARES

Tauari, castanheira.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA ÁRVORE

Árvore de grande porte, com até quase 50m de altura, presença de sapopemas, tronco retilíneo; casca fissurada longitudinalmente.

Folhas coriáceas, pecioladas, glabras ou esparsamente pubérulas na face inferior, oblongas. base cuneada. Inflorescências em panículas ou racemos curtos terminais ou axilares, ráque e raquilas minutamente pubescentes, estrelados; flores róseas, os lobos do cálice triangulares com as margens ciliadas; estames unisseriados contornando o anel estaminal. Frutos lenhosos triangulares ou em forma de cone invertido, opérculo plano no topo; sementes oblongo-lanceoladas.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA MADEIRA

Madeira moderadamente pesada, macia ao corte, alburno e cerne sem distinção quanto a coloração bege ligeiramente rosado; textura média, grã regular; sem cheiro ou gosto.

DESCRIÇÃO ANATÔMICA MACROSCÓPICA

Poros notados a olho nu, solitários e múltiplos, médios, muito poucos a poucos. Raios notados a olho desarmado; n plano tangencial são baixos e irregularmente dispostos. Parênquima axial pouco notado a olho nu, em linhas finas compondo com os raios trama irregular. Camadas de crescimento demarcadas por zonas de tecido fibroso.

PRINCIPAIS USOS

Compensados e faqueados, paletes, marcenaria e acabamento, brinquedos, instrumentos musicais, peças encurvadas, forros e painéis, cabos de vassoura, embalagens, móveis populares, cabos de vassoura.